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 corais moles

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Denis Cetera
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MensagemAssunto: corais moles   Seg Maio 26, 2008 7:18 am

Corais moles são animais geralmente recomendados para aquaristas iniciantes, com certa razão.

São animais resistentes, que em geral vivem bem sob luz fraca e suportam altos níveis de poluentes na água. Com raras exceções, é fácil mantê-los e até mesmo propagá-los. Seu desenvolvimento, no entanto, é afetado por diversos fatores do aquário, inclusive os próprios poluentes a que são submetidos em aquários que não encontram condições ideais. Cuidados com esses animais devem ser o que se dedica a qualquer ser vivo, mas algumas observações quanto a sua manutenção em estado saudável são muito recomendáveis, pois qualquer um que já tenha passado por problema de um coral mole dissolvendo no aquário sabe que a situação pode ser bastante comprometedora. Um coral apenas pode destruir a água do aquário, se for deixado para morrer.




Corais moles suportam condições bastante adversas em relação a pH, reserva alcalina e teores de compostos importantes como carbonatos de cálcio. Aquários abandonados à própria sorte sempre vêem como sobreviventes alguns corais moles. Já medi pessoalmente Phs de 7,2 em aquários de água salgada com dois corais dentro. Claro que isso não é recomendável, mas que esses animais superam todas as espectativas de vez em quando, isso é verdade.



Todo animal marinho deve ser mantido em pH entre 8.0 e 8.4. Abaixo de 8.0 podem haver problemas típicos de acidificação da água, como a conversão de amônia em amônio tóxico, e acima de 8.4 geralmente há precipitação de carbonatos e bicarbonatos, causando rápida queda de reserva alcalina. Com os corais moles devemos proceder da mesma maneira, pois habitam regiões muito diversas do recife de coral, sendo encontrados desde locais que ficam fora d'água na maré baixa, até grandes profundidades, abaixo dos 50 metros. Os corais importados e vendidos na lojas são de áreas rasas.

A reserva alcalina deve ser mantida em torno de 2,2 a 2,5 Meq/L, sendo que mais alto que isso não é prejudicial. Abaixo, certamente haverão problemas de calcificação. O fato desses animais serem moles não os tira da necessidade de agregar cálcio às suas estruturas; muitos corais moles têm suas matrizes construídas desse elemento, e sua semi-rigidez é produto disso. Os esclerites são estruturas especiais que determinam inclusive a espécie do coral mole, e em geral têm constituição calcárea. Determinou-se especificar corais moles por intermédio dessas estruturas pois seria essa a única maneira possível; corais moles de gêneros diferentes podem ter aspecto muito semelhante, e a confusão é natural. Os esclerites, no entanto, são típicos de cada espécie. e permanecem intactos mesmo após a morte do animal, devido a sua constituição rígida.



Temperaturas acima de 27o.C geralmente causam problemas por acelerar o processo metabólico do animal, fazendo com que sua demanda por oxigênio aumente. Como a temperatura da água limita a concentração de oxigênio dissolvido que ela pode conter, o animal sofre por não poder exercer sua respiração e processos de oxidação.



A água deve ter excelente movimentação, trazendo oxigênio ao animal, e livrando-o de deposição de material particulado. Muitas vezes, corais moles que nunca se inflam de água estão tendo problemas de falta de circulação de água no aquário. No quesito higiene, inclusive, há um interessante fato a notar; muitos corais moles produzem uma película muito parecida a celofane, que com o tempo descasca e se solta na corrente d'água. Esse material é como uma pele que o coral troca a fim de se manter livre de material depositado e bactérias ou outros agentes agressivos. Esse processo é absolutamente normal, e ocorre de tempos em tempos.

Uma quantidade razoável dos corais moles não abriga algas zooxanthellae, portanto não são capazes de aproveitar a luz. Esses animais só podem ser mantidos com alimentação provida pelo aquarista. Existe uma variedade de produtos com essa finalidade no mercado, e devo ressaltar o produto Koralvit F da Knop, à base de fermento, que realmente alimenta os corais. Animais filtrantes e corais têm maior facilidade para absorver partículas pequenas, como as do fermento natural. O fermento, muito rico em proteínas, é aproveitado com facilidade pelos animais. Corais como Dendronephtya sp, antes imaginados impossíveis, são mantidos com sucesso. Suas colorações vibrantes não se perdem com o tempo, como antes, e o alimento realmente as mantem em excelente condição

Os mais comumente importados e mantidos aproveitam a luz por intermédio de suas algas simbiontes, e portanto requerem boa iluminação. Iluminar o aquário com lâmpadas fluorescentes, numa taxa de 50% de lâmpadas luz do dia e 50% de azuis actínicas dá bom resultado. O melhor é usar ao menos 2 lâmpadas de cada, variando sua potência de acordo com o comprimento do tanque. Tanques mais largos do que altos dão melhores resultados com corais, pois a luz fluorescente, mais fraca que as HQIs, atinge profundidade menor. Podemos usar com segurança altura de até 50 centímetros de vidro para usar a iluminação fluorescente. Aquários mais altos, ou onde se deseje maior rendimento e crescimento dos corais devem usar HQI. Esse tipo de lâmpada, associado ao uso com fluorescentes azuis, permite maior beleza e alta eficiência. A luz azul dá maior "enchimento" e profundidade ao campo visual, além de excitar positivamente as algas zooxanthellaes dos corais.

O skimmer deve ser dimensionado para manter a água limpa, mas noto que os skimmers tipo ETS (os originais) não beneficiam muito os corais moles. Corais como Xenia spp, por exemplo, quando colocados num aquário pouco habitado, têm dificuldade para se desenvolver. Já num aquário bem cheio de corais e peixes, esses animais crescem muito rápido e se desenvolvem assustadoramente. Isso se dá muito provavelmente devido à maior concentração de matéria orgânica dissolvida na água. Todo coral mole aparentemente aproveita parte do material orgânico da água. Por causa disso mesmo, inclusive, é que suportam bem água poluída, ou, não tão limpa. Um aparte importante; como absorvem indistintamente substâncias benéficas ou nocivas, devemos tomar muito cuidado com o que dosamos na água, e que materiais usamos. Os removedores de fosfatos, por exemplo, contém alumina, uma substância que inibe corais moles. Muitos casos já foram relatados de corais moles se comportandod e maneira estranha, sem se abrir por longo período, em aquários em que se usavam resinas. Imediatamente após a retirada desse material, os corais começaram a se recuperar.

Esses animais têm o hábito de se inflar e desinflar com água, de maneira que sua aparência muda totalmente entre um estado e outro. Quando inflados, podem ainda expor seus pólipos, quase sempre presentes num polipário que se encontra na parte superior do corpo do animal. Às vezes, no entanto, custam muito a "abrir" completamente, e alguns demoram meses para expor sua beleza de forma completa.

As formas que apresentam nos dão algumas dicas a respeito de seu melhor estado em aquários; geralmente, animais de compleição robusta como Sarcophyton sp, os conhecidos leather corals, em formato de cogumelo, gostam de forte correnteza de água intermitente e boa iluminação. Corais do tipo "Colt" também preferem forte circulação de água de tempos em tempos, mas apreciam luz menos intensa. Já outros, como Lemnalia sp, de ramos finos e pólipos delicados, preferem locais mais abrigados das correntes, e luz média a fraca.

Pode-se adicionar suplementos, sendo que corais moles apreciam notadamente as fórmulas à base de Iodo. O iodo tem uma importante função de desintoxicação ao oxigênio nos corais, que realmente demonstram "alívio" quando se adiciona, no final do fotoperíodo, suplementos que comtenham esse elemento. Devemos ter cuidado com Iodo e outros elementos como Ferro, comuns nesse tipo de suplemento, pois favorecem o crescimento de algas.

Não devemos incentivar o crescimento de algas - sejam micro ou macroscópicas - no aquário. Algas crescem muito mais rápido do que corais, e competirão com vantagem com aqueles pela luz, nutrientes e matéria orgânica dissolvida na água. Um bom skimmer, água filtrada por Osmose Reversa, trocas parciais e suplementos dosados com parcimônia põem as algas em xeque mate. Alguns dizem que apreciam aquários forrados de algas, mas lembro-os que elas consomem à noite muito oxigênio, e sempre deixam a água tingida de amarelo ou verde, mudando a luz que penetra na água, alterando a vida dos corais.

Um aquário onde se mantem mais corais moles do que duros deve ser tratado com cuidado no que toca aos poluentes na água. Muitos deles produzem substâncias tóxicas que liberam na água a fim de inibir o crescimento dos outros corais. Esses compostos, como as sarcofinas e outros, também tendem a tingir a água do aquário de amarelo. Uma boa maneira de saber se isso está acontecendo no aquário é inserir pela metade um objeto bem braco dentro da água. Se as duas metades estiverem de cor muito diferente, descontado o ligeiro tom verde do vidro, deve-se usar carvão ativado. Esse material deve ser usado em pequena quantidade - 0,5 gr./L - se for a primeira vez que se está colocando carvão no aquário. Após o primeiro material ser descartado, normalmente após uns 15 dias estará saturado, pode-se aumentar a dose para 1 gr./L.

Aquários de corais moles são muito bonitos de se ver, e as várias tonalidades desses animais, somada a seu movimento suave de acordo com a movimentação de água, dão uma sensação de calma que faz lembrar um campo plantado exposto à brisa. Essa é uma boa noção para se ter quando planejarmos a circulação do aquário.

Os corais crescem muito, e rápido, portanto deve-se antecipar esse fato, não lotando o aquário de animais em curto espaço de tempo. Ter de escolher qual ou quais corais tirar do aquário depois de um ano, pois todos não caberão mais juntos, é muito difícil. Aconselho, portanto, manter entre os corais um bom espaço, de forma que não se toquem nem fiquem se esfregando um no outro. Em aquários novos isso acontece de maneira particularmente rápida. A maior oferta de material orgânico faz os corais realmente explodirem em crescimento em curto espaço de tempo. É normal ver aquários de um ano ou menos já totalmente tomados pelos corais, sem espaço para que se desenvolvam bem.

Com bom senso e o equipamento necessário, aquários com corais moles são recomendados mesmo a aquaristas iniciantes, e uma excelente forma de praticar este hobby incrível.


Nota: Artigo de Ricardo Miozzo , abraços
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